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Cultura | 15.03.19 - 10h32

Fotografia e resistência entram em cartaz no Murillo La Greca

Estreia amanhã (16), a exposição Resistência Vaga-lume, que reúne fragmentos da vida de todo dia, capturados pelas lentes de 10 fotógrafos. O acesso é gratuito

 

Neste sábado (16), o Murillo La Greca inicia a temporada de exposições 2019, com um irresistível e incandescente convite à resistência. Jogando luz sobre questões de gênero, relações de intimidade e materialidades, estreia a exposição Resistência Vaga-lume, que reúne fragmentos da vida de todo dia, capturados pelas lentes de 10 fotógrafos, unidos por um mesmo desejo e fio condutor: expressar diversas formas possíveis de resistência que se fazem chama acesa em tempos sombrios.

A exposição é gratuita e fica em cartaz só até o próximo dia 30, no museu gerido pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife. A concepção e a curadoria são de Daniela Bracchi, Eduardo Queiroga e Mateus Sá. Os trabalhos expostos levam as assinaturas de Carol Melo, Christina Schug, Clara Simas, Elysangela Freitas, Guilherme Benzaquen, Keila Vieira, Larissa Alves, Társio Alves, Tiago Lubambo e Tiago Duque.

As inspirações e conspirações para o encontro de tantos olhares começaram ainda em 2018, quando artistas e curadores, reunidos nas salas de aula da Escola Livre de Imagem, depararam-se com o texto “A sobrevivência dos Vaga-lumes”, em que o filósofo e historiador de imagens francês Georges Didi-Huberman discorre sobre vaga-lumes e sua frágil, mas transformadora existência incandescente, traçando um paralelo com a cultura e sua inabalável missão de sobrepor graça ao terror dos dias e dos tempos.

Nesse afã de resistir, as imagens que compõem a exposição vão desde a fotografia documental no cotidiano da rua, que se coloca contra estereótipos culturais, sociais e urbanos, até a elaboração de subjetividades e abstrações em contextos íntimos, expondo as fissuras nas relações hegemônicas com o corpo, a política, o feminino e a intimidade. “Ao contrário dos holofotes sempre voltados para os grandes acontecimentos, essa exposição busca as potências de um cotidiano em resistência”, diz o texto de abertura da mostra, assinado por Guilherme Benzaquen.

 

Sobre os artistas e suas obras

 

Carol Melo

No ensaio Quantas mãos fazem um maracatu?, Carol retrata o trabalho meticuloso, de métrica e poética, para a confecção das coloridas golas de maracatu.

 

Clara Simas

Primeiro ensaio fruto de uma pesquisa em processo que explora as potências e possibilidades narrativas do arquivo, Memento faz pensar numa arqueologia da ausência. Nesta ruga no tempo, maletas e esquemas buscam reconstruir a essência de uma história por meio de evidências borradas.

 

Christina Schug

Adotando o tema Reflexo do abandono, ela trata das dificuldades e do abandono de ser mulher, negra e de favela no Brasil, investigando esse mundo diverso em que elas vivem - a beleza da mulher na comunidade entre sonho e realidade. Um estudo na margem da representação externa e interna, pelo olhar de fora, guiado pelas histórias de dentro.

 

Elysangela Freitas

Quando ela roda é um ensaio formado por autorretratos em uma pesquisa pessoal que busca a reflexão sobre a relação existente entre a fotografia e o movimento do corpo. Na edição das imagens, foi utilizado o conceito do impressionismo, quando a luz também dança.

 

Guilherme Benzaquen

Impróprio é uma pesquisa em processo que parte de inquietações acerca da tensão entre privado e público. Iniciada em 2016, a série busca investigar a impropriedade nos espaços e nos corpos que os habitam. Dessa maneira, os enquadramentos se pretendem deslocamentos possíveis e necessários nas formas apropriadas do cotidiano.

 

Keila Viera e Larissa Alves

RTU é uma instalação em forma de ALTAR com imagens, sons, objetos e cheiros. É cria que nasce da amizade de duas buscadoras, da contemplação e da vivência do ciclo feminino. Nós mulheres, quando convivemos umas com as outras, sincronizamos a nossa menstruação e nosso tempo lunar, em sinal de nossa fraternidade. A palavra RITUAL vem de RTU, termo sânscrito que significa menstruação. E, tradicionalmente, os rituais femininos se conectam aos ciclos do corpo.

 

Társio Alves

 

Nas ruas pela democracia reúne fotos que gritam e evocam atos ocorridos nas ruas de Recife, desde o processo de impeachment da presidenta Dilma, em abril de 2016 até os dias atuais, trazendo um resgate de resistência e de denúncia.

 

Tiago Duque

Série em construção, Agora eu era busca as relações entre o cotidiano do íntimo familiar e a micropolítica.

 

Tiago Lubambo

Para retratar o caleidoscópio de formas, cores, luzes e texturas, que criam planos e sistemas a serem percorridos repetidos, reconhecidos e produzidos por um olhar geometrizante, Geografia da Cidade propõe um jogo criativo entre o mundo do visível e do invisível, buscando construir e refletir, memórias imagéticas para uma arquitetura afetiva, emocional e resistente.

 

Serviço

Exposição coletiva Resistência Vaga-lume

Abertura: 16 de março, sábado, das 15h às 18h

Visitação: Até 30 de março. De terça à sexta, das 09h às 12h e das 14h às 17h; aos sábados das 15h às 18h

Local: Museu Murillo La Greca (Rua Leonardo Bezerra Cavalcante, 366, Parnamirim)

Informações: (81) 3355-3129

Aberto ao público