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Turismo | 31.07.16 - 21h49

Recife Antigo de Coração em edição sustentável

Uma Mostra de Ecotecnologias levou soluções de manejo sustentável de recursos hídricos, energéticos e de alimentos para a Avenida Rio Branco. O projeto também celebrou o Dia Estadual do Maracatu, comemorado amanhã

 

O domingo foi verde no Recife Antigo. Na 40ª edição do evento realizado pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Turismo e lazer, que enche as ruas do bairro histórico de atrações, diversão, serviços e conteúdo todo último domingo do mês, a sustentabilidade tomou conta da programação. E para celebrar o Dia Estadual do Maracatu, comemorado amanhã, os tambores soaram alto no bairro, com a apresentação das nações Leão da Campina, Cruzeiro do Forte, Estrela Brilhante e Porto Rico, além de exposições sobre o ritmo criado nas senzalas brasileiras.

Para quem se pergunta como cuidar melhor do planeta e da saúde, recorrendo à natureza sem destruí-la, a Avenida Rio Branco estava cheia de respostas. Organizada pelo Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), a Mostra de Ecotecnologias levou para o bairro histórico algumas soluções bem simples e outras mais elaboradas para reduzir danos ambientais e democratizar o acesso ao alimento. Foram demonstrados, por exemplo, uma máquina de lavar movida a pedalada, um forno capaz de assar um bolo feito somente com isopor e um filtro UV, feito de canos, capaz de despoluir água para consumo humano. 

Várias dessas soluções embarcaram no Nômades do Mar, um veleiro francês que passará três anos percorrendo o mundo para aprender e ensinar tecnologias sustentáveis e atracou ontem diante do Marco Zero.

“Atuamos há 27 anos no interior do estado qualificando agricultores a partir de princípios como a produção de energias alternativas e a reciclagem. Agora queremos chegar mais perto dos centros urbanos semeando essa ideologia e essas técnicas em cada varanda e cada quintal”, disse Sebastião Alves. “As pessoas precisam saber que existem alternativas à destruição. Queremos difundir novas práticas. Tudo que temos a ensinar está ao alcance de todos”, afirmou Abdalaziz de Moura, também fundador do Serta. 

Entre as soluções facilmente domesticáveis estavam as hortas verticais feitas com garrafas PETs e a diversificação e cultivo dos vegetais que vão à mesa. “As pessoas comem muito alface. Mas pouca gente sabe que cada pé de alface consome mais de 200 litros de água. Enquanto isso, o ora-pró-nobis é fácil de plantar, nutritivo e ainda dá lindas flores”, disse Sebastião.

De todas as alternativas alimentares oferecidas, a que despertou mais interesse dos frequentadores do bairro foram os insetos. “Em alguns anos, eles podem ser a única saída para a alimentação humana. Não gastam água e ainda são bem mais ricos em nutrientes que as carnes de boi, de frango e de peixe”, explicou Casé oliveira, da Associação Brasileira de Criadores de Insetos (Asbraci), que levou baratas, grilos e larvas para degustação no Recife Antigo de Coração. 

A funcionária pública Cleomoça Lima, 34 anos, provou o grilo e aprovou. “Achei gostoso. Sabendo que é tão nutritivo, até me arriscaria mais vezes.” Já Joel Datz gostou mesmo foi da barata. “Achei muito bom.” À professora Rosa Soares, 49 anos, faltou coragem para encarar a degustação. Mas sobrou entusiasmo. “Adoro o Recife Antigo de Coração. Toda vez que a gente vem aqui aprende alguma coisa nova.”

Os paraenses Thays e Felipe Oliveira Costa, 24 e 22 anos, também estavam encantados. “Nunca vi uma iniciativa parecida. Muito legal esse projeto.” Eles fizeram de tudo um pouco no bairro, mas destacaram a intervenção Recife Imersivo, também montada na Rio Branco, que oferecia uma perspectiva do bairro histórico no século passado, a partir de realidade virtual. A intervenção foi criada pela Avi Rec - Artes Visuais Imersivas, com produção do Studio Z7, Preta Design e Eduardo Firme.

Teve ainda Show do Bem, com Adriana B., Raízes do Rubem e Pecinho Amorim, Dançando na Rua, da bailarina Andréa Carvalho, mágica e brincadeiras para a criançada, além de muitas modalidades esportivas.