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Educação | 10.06.16 - 19h11

Banda da Escola Municipal Paulo VI estimula bom comportamento dos alunos

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Grupo musical incentiva estudantes a terem boas notas e a serem disciplinados para poderem fazer parte da banda. (Foto: Irandi Souza/PCR)

 

Participar de uma banda na escola não significa apenas aprender as notas musicais e a tocar os instrumentos. Na Escola Municipal Paulo VI, na Linha do Tiro, os alunos que tocam na Banda Marcial Paulo VI também aprendem a ter disciplina. Ter bom comportamento e boas notas são pré-requisitos para entrar no grupo musical e também para permanecer nele.

Os cerca de 70 integrantes da banda são alunos e ex-alunos que moram no bairro, com idades entre 8 e 16 anos. As aulas de teoria musical e orientações sobre respiração e postura, além dos ensaios com os instrumentos acontecem de segunda a sexta, das 17h às 18h30. 

"Como ensaiamos quase todos os dias, não damos espaço para os meninos quererem ficar na rua. Quando um professor falta, a gente aproveita o horário livre pra estudar música. Tentamos usar a banda como ferramenta de incentivo à disciplina e ao estudo, estimulando os meninos a melhorarem as notas", disse o ex-aluno Wanderson Silva, 24 anos, que é um dos instrutores da banda e estagiário do Núcleo de Atividades Culturais (NAC) da Secretaria de Educação do Recife, assim como Eritton Alexandre Carvalho, 26 anos, e Willian Fagner, 24 anos. Eles aprenderam música na banda e querem repassar o que aprenderam para outros estudantes.

Regente e instrutor da banda, Eritton Alexandre estudou no Paulo VI a infância toda e está há 13 anos no grupo, que existe desde 1997. Ele conta que os ensinamentos passados pelos instrutores não são apenas musicais. "De acordo com a nossa filosofia de ensino, o aluno que tiver notas baixas e for indisciplinado é afastado da banda. Nós fazemos rodas de conversa em que escutamos a opinião dos alunos e damos a nossa, vemos quais dificuldades eles têm e buscamos ajudá-los nas disciplinas que sabemos mais. Tentamos complementar o trabalho dos professores, como um reforço", disse Eritton, que também é monitor das oficinas culturais do Programa Mais Educação.

Jamille Maria da Silva, 14 anos, do 9º ano, foi uma das estudantes que precisaram ralar para entrar na banda. Aluna da Paulo VI desde o 3º ano, a garota nunca gostou de estudar. "Eu sempre gostei de dança e música, por isso tive vontade de entrar na banda. Mas disseram que, se eu quisesse participar, tinha que mudar de comportamento. Eu só vivia perturbando, não queria saber de estudar. Tinha tanta vontade de ser do grupo que mudei meu jeito de ser, melhorei meu comportamento em sala e também minhas notas, principalmente em matemática", revela Jamille, que está há um ano na Paulo VI.

Já Mariluccy Ysdrany de Luna, 13, do 9º ano, sempre foi boa aluna, mas confessa que não se dava muito bem com os irmãos até entrar na banda.  "Eu melhorei em casa, ajudo mais minha mãe, deixei de ser chata com meus irmãos mais novos e melhorei ainda mais minhas notas, porque amo a banda e não quero sair por nada. Quando faço qualquer coisa errada em casa, minha mãe diz que vai me tirar do grupo", conta Mariluccy.

Moradora da Linha do Tiro, Denise Nobre, que éprofessora de dança de uma das oficinas do Programa Mais Educação na Escola Paulo VI, levou suas duas filhas para participar da banda. As balizas Laís Karina, 9, e Lilian Gabriele Nobre, 10, estudam em outro colégio e são treinadas em ginástica rítmica por Denise, que até hoje é baliza de uma escola de ensino médio de Maranguape, em Paulista. "Elas passaram uma época tirando notas baixas e foram afastadas do grupo por um mês, até as notas melhorarem. Elas gostam tanto que até pra ensaio escondido elas vieram. Depois as duas tiraram dez em matemática e puderam voltar pra banda", conta Denise.

Gestor da Escola Municipal Paulo VI há quatro anos e professor da mesma há 32 anos, Rubens Vasconcelos é um dos que mais percebem a melhoria no comportamento dos alunos. Segundo o gestor, o corpo docente trabalhou muito para reduzir os problemas relacionados ao uso de drogas e à violência na escola, e a banda Paulo VI teve um papel fundamental nisso tudo. "Hoje nós vemos meninos que eram trelosos, ausentes da escola e que não sabiam nem o que era uma nota musical tocando com domínio total dos instrumentos. Eles despertaram para a musicalidade, melhoraram a disciplina, o convívio com os colegas e a produção pedagógica", avalia Rubens, que dirige uma escola com 1.200 alunos do 3º ao 9º ano do Ensino Fundamental, além de turmas de Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) e dos programas Se Liga, Acelera e Travessia.

Para o maestro Marcos Galdino, diretor do Núcleo de Atividades Culturais (NAC) da Secretaria de Educação do Recife, a Escola Municipal Paulo VI é referência em música na rede municipal. "A escola tem um trabalho que deu certo e é um exemplo do que queremos ver nas outras unidades", elogiou. 

INSTRUMENTOS MUSICAIS - Com o objetivo de incentivar a iniciação musical nas escolas municipais, a Prefeitura do Recife adquiriu cerca de 700 instrumentos musicais para as bandas de 11 unidades de ensino em 2015. Aguardada há mais de dez anos, quando tinha sido feita a última aquisição de instrumentos musicais para as escolas, a compra beneficia os mais de 1.200 alunos que tocam nas bandas marciais da rede municipal de ensino. O investimento foi de R$ 900 mil. Entre os 50 tipos de instrumentos profissionais adquiridos pela prefeitura estão saxofones, flautas, clarinetes, caixas, bumbos, tímpanos, xilofones, marimbas, trompetes, trombones, trompas, tubas, entre outros. 

A Banda Marcial Paulo VI foi uma das que receberam os instrumentos novos. "O prefeito teve essa visão de investir na música, comprando instrumentos novos. Nós nunca tivemos o que os alunos têm hoje, por isso ensinamos a eles o quanto é importante zelar pelos materiais", diz o instrutor Eritton Alexandre.