Secretaria da Mulher do Recife

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Mulher | 29.07.19 - 11h36

PCR debate o tema “Mulher Negra no espaço de poder”

Atividade é promovida em alusão ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

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Servidoras e usuárias dos serviços da Prefeitura do Recife vão ter a oportunidade, nesta terça-feira (30), a partir das 9h, de participar da discussão “Mulher Negra no espaço de poder”, que será promovida no Hall do edifício sede, no Cais do Apolo, com a participação da vice-governadora Luciana Santos. A atividade ocorre dentro da programação realizada durante este mês, para celebrar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela.

Um diálogo, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos, em parceria com as secretarias da Mulher e de Administração e Gestão de Pessoas, por meio do Programa Servidor de Valor, vai tratar sobre o enfrentamento do racismo nos espaços de poder. “O tema traz a reflexão sobre o fortalecimento da participação das mulheres negras na construção histórica do país como forma de garantir os direitos e diminuir as desigualdades”, destaca a secretária Executiva de Direitos Humanos, Elizabete Godinho.

Dados da violência contra as mulheres apontam que 64% das mulheres assassinadas em 2016 são negras (Atlas da Violência de Gênero, 2019). Ainda, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), dos 25 países com os maiores índices de feminicídio do mundo, 15 ficam na América Latina e no Caribe. Este dado revela as desigualdades de gênero operadas ao longo da história, tendo o corpo feminino como alvo de múltiplas violências. No conjunto desses dados, as mulheres negras são as mais atingidas tendo seu cotidiano marcado pelo sexismo e pelo racismo, gerando processos de marginalização de vários níveis.

Os indicadores da desigualdade racial, evidenciados na pesquisa apresentada pelo Atlas da Violência em 2016 demonstram como as mulheres negras (em comparação com as não negras), têm menos acesso a serviços de infraestrutura e habitação, baixa escolaridade, estando inseridas no mercado de trabalho em profissões e ocupações de menor prestígio e menores salários, sendo elas, inclusive, as que mais sofrem com a violência doméstica.

A partir disto, evidencia-se que as mulheres negras estão no topo das estatísticas, sendo também as mais vitimizadas no que se refere à violência obstétrica, aos crimes sexuais e as mortes violentas. Assim, o dia 25 de julho, alusivo à Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, representa um marco de luta das mulheres do continente. Esta data foi demarcada no ano de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos - República Dominicana, sendo um marco internacional de organização, luta e resistência das mulheres negras.

Tereza de Benguela - No Brasil, além da referência Latino-Americana destacada, é evidenciado também o Dia Nacional Tereza de Benguela. A data faz referência a uma liderança quilombola importante do século XVIII, que contribuiu diretamente na luta pela libertação do povo negro escravizado desde 1530, ao lado do seu marido José Piolho, que chefiava o quilombo do Quariterê. Pesquisas apontam, que após a morte do seu marido, em Mato Grosso, Tereza Benguela esteve à frente da estrutura política, administrativa e econômica do quilombo, sendo até hoje intitulada como um símbolo de resistência das mulheres negras de todo País.