Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos

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Direitos Humanos | 18.11.18 - 16h18

Prefeitura do Recife inicia 6ª Jornada de Direitos Humanos na próxima terça

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A igualdade racial é o foco do primeiro dos 20 dias de debates, já que a abertura acontece no Dia da Consciência Negra (Foto: Daniel Tavares/ArquivoPCR)

 

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CARTILHA DIREITOS HUMANOS

 

A Prefeitura do Recife dá início, na próxima terça-feira (20), à 6ª Jornada de Direitos Humanos (JDH). A igualdade racial será o foco do primeiro dos 20 dias de debates, já que a programação começa no Dia da Consciência Negra. A abertura do evento, que conta com mais de 100 ações em cerca de 30 bairros da cidade, será às 8h no Pátio de São Pedro, no Bairro de Santo Antônio, principal polo de atividades do primeiro dia. 
 
Na terça, o Pátio de São Pedro receberá oficinas de dança afro, Feira Afroempreendedora, roda de diálogo sobre o papel do Hip Hop no fortalecimento da identidade da população negra, oficina de maquiagem para pele negra e de cuidados com os cabelos crespo e cacheado, apresentações culturais, serviços de saúde, entre outras atividades.
 
A JDH é organizada pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos do Recife (SDSJPDDH) há seis anos, em parceria com diversas outras pastas da Prefeitura do Recife e outras instituições, como o escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, o Movimento Negro Unificado (MNU) e a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro).
 
Palestras, cursos, oficinas, seminários, exposições, emissão de documentos, orientação jurídica e cine-debates fazem parte da programação, que vai até o dia 10 de dezembro, quando se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesta data, há 70 anos, foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Todas as atividades da Jornada de Direitos Humanos do Recife têm como eixo orientador um dos 30 artigos da Declaração Universal, com o objetivo de aproximar o debate global das questões locais. 
 
Além das discussões sobre igualdade racial, os debates abordarão as mais diversas temáticas relacionadas aos direitos humanos: os direitos da criança e do adolescente, das pessoas idosas, das mulheres, das pessoas com deficiência, da população LGBT; direito à educação, ao lazer e à saúde, entre outros. A estimativa da SDSJPDDH é de que a Jornada de Direitos Humano do Recife atinja um público de 20 mil pessoas.
 
O objetivo da jornada é comemorar os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promover a cidadania e a defesa dos direitos humanos; conscientizar a população, discutir e tentar efetivar os direitos à cidadania, à educação, saúde, lazer, cultura, esporte e meio ambiente saudável; valorizar a diversidade e a igualdade de oportunidades, além de realizar intervenções em espaços públicos para combater as diversas formas de preconceito e discriminação. 
 
EXPOSIÇÃO - Uma exposição itinerante da PCR em homenagem aos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos vai circular pelas mais diversas áreas da cidade. São oito tótens com todo o texto do documento, com destaque para alguns artigos. Vão ser distribuídos também livretos de bolso da declaração. Na abertura da Jornada de Direitos Humanos do Recife, a exposicão estará no Pátio de São Pedro.
 
Dois técnicos sempre estarão acompanhando a exposição para explicar o contexto do surgimento da declaração, a sua importância, como a declaração inspirou a Constituição Federal de 1988 e o quanto foi o ponto chave para a reconstrução do mundo no período pós 2ª Guerra Mundial. "Queremos que as pessoas que passem pelas ruas do Recife tenham contato com o conteúdo da declaração, que fala do direito à vida, à liberdade, à igualdade, contra a tortura, contra toda forma de discriminação. O objetivo é fazer com que isso toque as pessoas e contribua para desconstruir a ideia estereotipada que se tem dos direitos humanos", explicou Ana Rita Suassuna, secretária de Desenvolvimento Social, Juventude, Políticas sobre Drogas e Direitos Humanos do Recife.
 
Entre os locais de grande circulação de pessoas pelos quais a exposição irá passar estão a Avenida Boa Viagem, o Aeroporto Internacional do Recife, Rua do Lazer, Avenida Rio Branco, Rua Nova, Praça da Várzea, Terminal Integrado de Passageiros (TIP) no Curado, Compaz Ariano Suassuna, no Cordeiro; Compaz Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha; Mercado Público de Afogados, Brasília Teimosa, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Parque da Jaqueira, Parque 13 de Maio etc.
 
ABERTURA – Na terça-feira, no Pátio de São Pedro, haverá oficina de dança afro e Feira Afroempreendedora a partir das 9h, contação de histórias e “Olha! Recife” com a temática da consciência negra às 10h, roda de diálogo sobre o papel do Hip Hop no fortalecimento da identidade da população negra com Zé Brown e Jouse Barata; oficina de maquiagem para pele negra e de cuidados com os cabelos crespo e cacheado às 15h; apresentação do Maracatu Linda Flor às 17h e, às 18h, os jovens que fazem aula de dança no Compaz Eduardo Campos apresentam a peça “Tereza: uma luz chamada resistência”. 
 
Ao longo do dia, no Pátio de São Pedro, também serão oferecidos serviços de saúde, como distribuição de preservativos, aferição de pressão e glicemia, vacinação, teste rápido de sífilis, hepatite e HIV, Reiki e auriculoterapia. Às 19h, começa a Terça Negra, com apresentação de capoeira e das bandas Tambor Falante, Lamento Negro e Lucas & Orquestra dos Prazeres.
 
Às 14h, haverá exibição de filmes que abordam a questão racial no Memorial Chico Science. Na Casa do Carnaval, às 14h30, será ministrada a oficina Juventude Participa. Às 15h, no Núcleo da Cultura Afro-brasileira, serão ministradas oficinas sobre cuidados com cabelos cacheados e crespos e de maquiagem para peles negras. 
 
Além da abertura da Jornada no Pátio de São Pedro, a programação da terça também inclui atividades em outros espaços da cidade. Durante a manhã, haverá roda de diálogo sobre racismo institucional e serviço social no Centro de Referência em Assistência Social (Cras) do Pina; o 8º Encontro Estadual de Saúde da população Negra, no auditório da Secretaria Estadual da Saúde, no Bongi, além de roda de diálogo sobre direitos humanos e mediação de conflitos na Escola Municipal Paulo VI, na Linha do Tiro. 
 
Na tarde da terça, haverá roda de diálogo sobre a promoção da igualdade racial e oficina sobre mediação de conflitos e igualdade racial na sede da Escola de Samba Gigantes do Samba, na Bomba do Hemetério. Na noite da terça, terá início o 6º Festival de Cinema da Diversidade Sexual e Gênero do Recife (Recifest), no Cinema São Luís, na Boa Vista. No local, a Gerência de Livre Orientação Sexual (Glos) do Recife vai divulgar a campanha “Recife sem preconceito e discriminação”.
 
SEMINÁRIO DA ONU - Na quarta (21) e quinta (22), o ponto alto da programação da Jornada é o Seminário “Vidas negras: diálogos sobre ações governamentais de enfrentamento à violência contra as juventudes”, promovido pela ONU Brasil junto com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e a Prefeitura do Recife, na Universidade Católica de Pernambuco. O objetivo é dar visibilidade à violência contra a juventude negra, já que, segundo a ONU, um negro com 15 a 19 anos tem hoje três vezes mais chance de ser assassinado que um brasileiro branco na mesma faixa etária. 
 
A ideia é reunir gestores públicos de diversos municípios (sobretudo os que têm situação mais crítica em relação aos indicadores de violência e vulnerabilidade de jovens negros), sociedade civil, técnicos e especialistas para trocar experiêncais sobre boas práticas com potencial de impacto na prevenção e redução da violência contra a juventude negra nas cidades brasileiras. Espera-se sesibilizar os tomadores de decisão locais a desenvolverem políticas de prevenção e enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial. 
 
O encontro contará com apresentações de experiências exitosas de combate à violência no Brasil e na Colômbia, grupos de trabalho temáticos e debates. O evento culminará na construção de um pacto com diretrizes gerais para o enfrentamento ou prevenção à violência letal contra a juventude negra. O seminário faz parte da campanha Vidas Negras, lançada pela ONU há um ano.